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Uma Mulher. Negra. Latino-Americana.

Para falar de Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o Coletivo Obirin possui um xodó. Um nome que quando pronunciado faz os olhos dos nossos integrantes brilharem. Esse nome é Inaldete Pinheiro.

Inaldete Pinheiro de Andrade nasceu em 1946, aqui no Nordeste. Na cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Veio para o Recife aos 20 anos para estudar enfermagem na UFPE e de quebra ainda completou o mestrado em serviço social e administração hospitalar, também pela federal.

Na luta pela igualdade racial desde cedo, nossa diva foi uma das fundadoras do movimento negro aqui no estado e participou de organizações da sociedade civil voltadas para a defesa dos direitos humanos.

Durante toda a vida adulta e até hoje, Inaldete se dedica ao resgate da herança africana com trabalhos que contribuem para a constituição de uma bibliografia voltada para o ensino da história e das culturas africanas e afro-brasileira, o que pode ser visto em suas manifestações pernambucanas e nordestinas. 

Inaldete é filiada à União Brasileira de Escritores e possui em seu currículo vários livros publicados, além de muitos outros ainda inéditos. Os principais destaques das suas publicações são aquelas voltadas para a literatura infantojuvenil.

Nossa Obirin possui diversas ações que buscam o fortalecimento da cultura afro-brasileira e incluem intervenções no campo educacional, através de programas de capacitação que realiza em escolas do Recife e outros municípios de Pernambuco.

Inaldete Pinheiro discursando (1). Foto: Coletivo Obirin

Seus encontros, com muitas outras mulheres negras, também geraram frutos. Em entrevista para o nosso coletivo, Inaldete comentou uma das suas muitas inquietações sobre a representatividade negra.

“Estava em um encontro feminista em Buenos Aires com outros negros e surgiu o questionamento do por que não celebrarmos os quinhentos anos de invasão da América. Cérvia, uma mulher negra da República Dominicana apontou que por lá, Cristóvão Colombo também havia aportado. E em 1992 estávamos lá, na República Dominicana”.

Assim surgiu o primeiro encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas.

“Foi lindo, um encontro grande, internacional, latino-americano, porque as negras dos Estados Unidos estavam num nível muito mais adiantado. Fizemos um encontro de três dias, belíssimo. E no final da reunião, criamos um documento que considerasse o dia 25 de julho o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. E o Brasil, hoje, celebrar esse dia é muito importante”.

Atuando no Movimento Feminista desde 1979, Inaldete também é responsável pela articulação de ações entre mulheres de seis comunidades negras do interior de Pernambuco, remanescentes de antigos quilombos.

Graças ao seu conhecimento na área de saúde, a enfermeira fez parte do GT Saúde da População Negra da Prefeitura do Recife e da Comissão do Programa de Anemia Falciforme da Secretaria Estadual de Saúde.

Inaldete Pinheiro discursando (2). Foto: Coletivo Obirin

Inaldete ainda foi protagonista na defesa da inclusão da disciplina História da África e da Cultura Afro-pernambucana, primeiro no currículo da rede de ensino municipal do Recife, depois na grade da rede pública estadual.

Não só o dia 25, mas todo o mês de julho é voltado para essa visibilidade, como destaca a nossa Obirin.

“Momento de impulso, de dizer que estamos presentes e querendo mais.  Querendo mais oportunidades, mais combate ao racismo, combate ao feminicídio. Precisamos trazer nossa juventude para discussão e, sobretudo, educar nossas crianças para viver a questão racial nesse país perversamente racista”.

Débora Eloyhttp://www.obirin.com.br
Por definição: companheira, caridosa, desenrolada, amorosa, avexada, doce, paciente, disposta. Por autoria: estabanada, carente e abestalhada

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