Negro, baiano, jornalista, advogado, deputado. Essas são algumas das definições que você pode encontrar numa rápida pesquisa que fizer sobre Carlos Alberto Caó, falecido ontem, 04 de fevereiro de 2018. Talvez nessa pesquisa, os principais portais de notícia do Brasil estejam tratando do falecimento de um dos grandes símbolos do movimento negro com certa superficialidade, apesar da contribuição de Caó para a questão da criminalização dos atos de discriminação racial e de cor.

Hoje o Brasil possui uma legislação racial um pouco mais consolidada, com o estatuto da igualdade racial, leis que preveem o ensino da cultura e da história dos negros nas escolas, políticas públicas de inclusão racial, como as cotas. Políticas específicas de saúde para a população negra com relação a doença falciforme, por exemplo. Tudo isso aconteceu após muita luta do movimento negro, de cada representante do movimento durante as várias etapas da história.

Carlos Alberto Caó

A luta ela precisa vir das ruas, o movimento social precisa nascer na sociedade. As pessoas devem se incomodar com a realidade, e não é preciso descrever qual a realidade do negro no Brasil, apesar dos avanços. Num Estado de direitos, essa luta precisa ser institucionalizada, precisa ser transformada em lei, precisa estar no papel. É necessário que esses direitos tão batalhados sejam legitimados, senão a luta torna-se insuficiente. O que se grita nas ruas precisa ser institucionalizado.

Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos, deu um passo importante para isso. Abriu as portas para que outras pautas fossem institucionalizadas nas épocas que se seguiram. Entre a Lei Caó e o Estatuto da Igualdade Racial temos um hiato de 21 anos, mas que poderiam nem existir se a luta vinda da rua, não chegasse onde as leis são criadas. Temos mais do que nunca que ocupar todos os espaços, nos unir para elegermos aqueles que lutem a nossa luta, pautem a nossa pauta e mais do que entendam, sintam a nossa dor. A Carlos Alberto Caó fica o nosso reconhecimento, que seu espírito siga o caminho de Òrun, sua luta não foi em vão e precisa ser continuada.