No dia 10 de março aconteceu a Mostra Moda Preta. Um evento cujo o objetivo era expor ideias de consumo/produção dentro do estilo e cultura negra. Com a colaboração de produtores independentes tanto de brechós quanto de estilistas. O evento também tinha a finalidade de fortalecer e destacar a atividade de mulheres negras em seus diversos setores de atuação. Obirin passou pelo evento para conferir como foi.

Alana Barbosa – Nua Clothing

A Galeria Arvoredo foi escolhida para ser o local da Mostra de Moda Preta e muitas pessoas vieram prestigiar o desfile. Amigos, familiares e curiosos curtiram a noite ao som de remixes de artistas como Rincon Sapiciência, Elza Soares, Nicki Minaj, Karol Konká entre outros. A idealizadora do Evento e do Nua Clothing, Alana Barbosa, expôs as inspirações e influências contidas nas peças escolhidas para compor o desfile. Alana é estudante de moda e cresceu observando a moda mainstream sulista e branca. Sem se identificar com nada disso, montou um brechó sob influência do brechós de São Paulo entretanto, sempre tentou oferecer roupas que encaixassem no clima do Nordeste. Brechó é uma loja de artigos usados, principalmente roupas, calçados, louças, objetos de arte, bijuterias e objetos de uso doméstico. Não confunda Brechó com Bazar. As roupas em um Brechó passam por uma curadoria, isto é, são selecionadas, melhoradas e até personalizadas pelo organizador do Brechó. Esse tipo de comércio tem ganhado força no sudeste e tem se espalhado para o restante do País. Alana usa esse artifício para expressar na forma de se vestir uma resistência aos padrões estéticos que a moda impõe.

Além da Nua Clothing, também participaram do evento as marcas Noda Company, Máfia Feminina, Nossateliê, Donut Suply, Mag Black INK, Fabi INK Tatto, Duafe e Brechó de Martte. Modelos cacheadas, transsexuais, modelos de todos os tipos de corpos e cores dominaram a passarela com roupas marcadas pelo vaporwave underground. Os anos 80 também estavam presente, porém, adaptado com muita transparência e brilho. A marca Noda Company trouxe roupas masculinas e femininas inspiradas na cultura hip-hop.

A acessibilidade dos preços das roupas pode ser destacada como uma forma de aproximar o todo tipo público. Obirin recomenda que todas acompanhem essas marcas, porque elas ainda vão dar o que falar.

Mallu Oliveira