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Mais do que nunca, reclamamos o dia da Consciência Negra

Novembro mal chegou, e mais um dia da Consciência Negra foi multicelebrado. Popularmente conhecido entre os nossos como dia da “Paciência Negra”, inicialmente era um projeto a fazer parte do calendário escolar, em um momento de renovação curricular em 2003. Somente em 2011 ele foi decretado data de celebração nacional, através da lei n° 12.519. Oficialmente temos apenas 10 anos de reconhecimento nacional. Dez anos de questionamentos, dez anos de críticas infundadas (a não ser no próprio racismo), e recentemente, todo ano com o mesmo vídeo do Morgan Freeman viralizando. “Somos todos humanos”, sim somos. Mas nunca fomos iguais, culturalmente, esteticamente, e nem perante a lei. Acreditar nisso é ser no mínimo hipócrita, iludido, negacionista, ou ambos.

À primeira vista, o evento da Consciência Negra no Brasil talvez não significasse nada demais para nossa população. Seja dia, mês, ou ano, ainda não seriam suficientes para expor e dialogar sobre o racismo estrutural, e todos os processos sócio-históricos que acometem o povo negro. Ser antirracista não está em qualquer vídeo, livro ou palestra. É uma prática diária e contínua.

Porém, muito mais do que falar sobre o racismo (e também lembrar da existência de profissionais negros apenas nessa época), essa data trouxe uma nova oportunidade: conexão, celebração, comteplação. Muito mais do que o povo negro, todos deveriam ouvir a beleza de um Afoxé, participar de um samba de roda, contemplar a beleza dos contos africanos. Todas as épocas do ano, em qualquer momento da vida. É um legado, uma herança, um presente para o mundo.

Dia 20 de Novembro também é lembrada a morte de Palmares, nunca deixamos morrer em nossa memória o percurso duro de nossos antepassados, e tantos outros Zumbis. Aquilombar é ancestral, e necessário para manutenção do coletivo. Datas semelhantes já eram comemoradas por comunidades e organizações negras por todo o Brasil. Contudo, essa data foi elencada também como uma forma de resistência. A narrativa do 13 Maio (data da abolição oficial, de autoria de um princesa branca), continua a chamar certa atenção. Típico. As síndrome de salvador e egocentrismo brancos raramente deixam a perceber a mediocridade de sua História. Mesmo assim, as feridas da escravidão nunca se fecharam. Diariamente continuamos a lutar contra um sistema que se adapta para nos oprimir.

Continuamos resistindo, para a raiva do sistema. Por isso, mais do que nunca, é importante zelar e celebrar nossas conquistas e representações, vivas ou mortas. Em um mundo no qual o presidente da Fundação Palmares (outra homenagem à grandiosidade de Zumbi), sugere a mudança de nome a favor da Princesa Isabel, e diz que deveríamos ser “gratos”, mais do que nunca, reclamamos o que é nosso. Nossos irmãos perecem diante do sistema, mas quem coopera com o inimigo, merece Ubuntu? Então, celebre o dia da Consciência Negra. Não por eles, não por ser uma data processual, mas por nós. Por você, por sua negritude. Celebre do seu jeito. Seja lendo mais um texto da Angela Davis, ou ouvindo um Afoxé. Faça-se consciente, sobre você e seu lugar no mundo. Faça-se presente e resistente.

Obirin
Nasci da ideia de disseminar e aproximar as ações de grupos e pessoas que estão na luta pela igualdade racial.

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