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Eu tô tão cansada

“Num quadro triste, realista
Numa sociedade machista
As oportunidades são racistas
São dois pontos a menos pra mim
É difícil jogar
Quando as regras servem pra decretar o meu fim”

(Afrontamento – Tássia Reis)

Eu confesso que eu queria que esse texto fosse diferente quando pensei em escrevê-lo. Pra cima, cheio de esperança, feliz de alguma forma, já que estamos passando por tanta coisa pesada, mas eu tô cansada.

Eu queria escrever sobre o quanto me orgulho de ser uma mulher negra, mesmo sendo vista como “afrobege” pelo black twitter. Sobre o quanto eu me orgulho das minhas conquistas e das batalhas que eu enfrentei, porém eu tô cansada de lutar. Como qualquer pessoa preta eu não consegui nada na vida sem uma batalha. Tudo que eu tenho veio disso. Lutas. E lutar todo dia cansa e é justamente por estar cansada que eu escrevo. 

Minhas forças parecem se esgotar a cada dia. Lutar contra o racismo, o machismo, a bifobia e ainda ter que me dedicar a faculdade, estágio e meus projetos pessoais é duro. Isso sem falar no campo do afeto (que me é negado com uma certa frequência). Já me peguei pensando inúmeras vezes que se eu fosse branca, de classe média, bem padrãozinho mesmo, seria tão menos duro. Mas a realidade é outra, né? E não é que eu deseje ser branca, porém eu tô tão cansada de ter que batalhar para absolutamente tudo. Eu digo para mim mesma o velho ditado “O que vem fácil vai fácil” quase todos os dias, como forma de diminuir a minha angústia, só que nada vem fácil para eu saber se isso é real.

É certeza que amanhã eu vou acordar, tirar forças de onde eu não tenho, e seguir nas minhas batalhas esperando vencê-las. Se fracassar, levantarei mais uma vez de cabeça erguida, porque me ensinaram a ser forte desde muito nova, e irei mais uma vez a luta – mesmo cansada. E sabe por quê, né? Não há outra opção para mim senão essa. Eu queria desistir ou fraquejar as vezes, mas não posso. Tenho sempre que levantar e seguir, mesmo quase sem forças. Será que o nosso destino é lutar sempre? Ser forte a quase todo momento? Ter que superar tudo? Eu espero que não, mas é o que parece…

Eu desejava, de verdade, escrever outra coisa em comemoração ao mês da mulher negra latina e caribenha, mas eu tô tão cansada.

Por Rubi Pereira/Larissa Valentim

Obirin
Nasci da ideia de disseminar e aproximar as ações de grupos e pessoas que estão na luta pela igualdade racial.

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