A denominação “Empreendedor” parece algo que atrai as pessoas. Abrir o próprio negócio, ser o próprio patrão, receber os lucros da empresa. Uma visão tanto quanto utópica para quem está começando agora. Com a criação do Micro Empreendedor Individual (MEI), ficou ainda mais fácil conseguir um CNPJ e se declarar um empreendedor.

Segundo dados do Sebrae, levantados ainda em 2015, o número de empreendedores negros era maior do que brancos. Colocado dessa forma, sem um contexto e nenhuma explicação, pode parecer uma coisa boa. Cada vez mais negros são donos do próprio negócio, mostrando que podem ter posição de destaque.

O mérito existe, formalizar as práticas e tornar a profissão de uma pessoa algo reconhecido é, de fato, algo para se comemorar. Mostrar que uma pessoa negra, com toda carga e estigma social que carrega, pode ter uma função de destaque é mais do que o que foi sonhado há décadas.

Por outro lado, a problemática ainda existe. Como sendo a classe que menos encontra emprego, é natural que busque a autonomia como uma forma de sustento. Ainda de acordo com o levantamento do Sebrae, os empreendedores foram divididos em dois grupos, o empresário “por conta própria” e o “empregador”. Dentro dessa divisão, os empreendedores negros ocupam 91% daqueles que trabalham por conta própria. Já o empregador possui uma parcela de 78% de brancos.

Isso significa que a população negra encontra no empreendimento uma forma digna de sobreviver, enquanto o branco, já detentor do capital monetário, abre uma empresa com o intuito de aumentar a renda. E, para isso, precisa de mão de obra.

Falando em mérito e no tanto que isso representa para a população negra brasileira, a oportunidade de abrir o próprio negócio de forma legal, trouxe a oportunidade de garantir um emprego, onde muitas vezes portas são batidas sem nem ao menos olhar as qualificações.

 A representatividade negra nas empresas estimula o crescimento dessa forma de trabalho e, como um efeito de ascensão, impulsiona outros negros à procurarem alternativas à falta de emprego, de oportunidade. Prova disso foi o que ocorreu no último sábado (24) no Museu da Abolição, no bairro da Madalena, no Recife.

O Encrespa Geral Pernambuco foi um encontro em a população negra, em sua maioria as mulheres negras, com a finalidade de dar espaço para aquelas que possuem trabalhos autorais, manuais, de representação, entre outros, para mostrar seus produtos, trocarem experiências e afirmar que, mesmo com as grandes adversidades que a sociedade impõe, a população negra resiste, persiste e não desiste.