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Apoio às periferias durante pandemia é feito por iniciativas próprias. Conheça as ações!

Enquanto o estado tem uma atuação negligente frente às necessidades da população periférica, especialmente durante o processo epidêmico que enfrentamos, os próprios moradores dos territórios se arriscam para amenizar as consequências e ajudar os mais afetados pela pandemia. As articulações são feitas através de coletivos e organizações que realizam, ao longo da história, trabalhos importantes em comunidades e com grupos minoritários, na direção de uma sociedade mais igualitária.

É o caso do Centro Comunitário Mário Andrade, Cidadania Feminina e Frente Favela Brasil, que partem de motivações distintas e ao mesmo tempo, complementares, tendo como público-alvo negros, mulheres e grupos periféricos. Conversamos com lideranças femininas engajadas nas ações de enfrentamento ao Coronavírus nas comunidades do Recife para entender como a periferia tem se movimentado e procurado se manter, frente às novas dificuldades trazidas pelas crises de saúde pública e econômica globais.

Centro Comunitário Mário Andrade – Joelma Andrade

Criado a partir da busca de uma mãe por justiça, o Centro Comunitário Mário Andrade tem raízes fincadas na comunidade do Ibura, no Recife. Joelma Andrade é a mãe, que, por Mário, seu filho, assassinado injustamente por um policial, deu início a uma trajetória de luta contra o genocídio do povo preto. Hoje, junto a outros voluntários, ela se mobiliza em um trabalho contínuo no lugar onde vivia com os filhos, transformado agora na sede do Centro.

Centro Comunitário Mário Andrade realiza doação de cestas básicas para moradores do Ibura. Imagem: Centro Comunitário Mário Andrade/Divulgação

Com as atividades fixas — cine, oficinas e aulas para as mães e crianças — paralisadas, em razão da pandemia do Coronavírus, os esforços do grupo têm sido direcionados para atividades de apoio às famílias que tiveram a renda paralisada pelo isolamento social.

“A ação que a gente tem feito é a ‘De quarentena, mas solidários”, que é fazer a distribuição de cestas básicas para as famílias, as mães dos meninos que frequentam o Centro e as demais da redondeza, do Ibura”

explicou Joelma
Centro Comunitário Mário Andrade realiza doação de cestas básicas para moradores do Ibura. Imagem: Centro Comunitário Mário Andrade/Divulgação

A campanha, idealizada pelo Centro, consiste no cadastro de famílias em vulnerabilidade da comunidade, para a posterior entrega de alimentos, panfletos informativos, kits de proteção e higiene, arrecadados por meio de vaquinha online e doações. A logística de distribuição é feita seguindo todo o protocolo de distanciamento social e proteção recomendado pelos órgãos de saúde. Para ajudar, basta entrar em contato no FacebookInstagram, no telefone (81) 9 8666-4650, ou contribuir diretamente com o financiamento coletivo Vakinha.

Cidadania Feminina – Liliana Barros

A ONG Cidadania Feminina, que exerce atividades no Córrego do Euclides, bairro da zona norte do Recife, tem os eixos de atuação pautados no enfrentamento à violência contra às mulheres, na valorização da identidade negra e no combate ao racismo. Não por coincidência, mulheres e homens negros estão entre os grupos mais afetados pela pandemia. Apesar disso, são desses mesmos grupos que a organização tem recebido maior apoio aos trabalhos de enfrentamento à Covid-19 na comunidade, é o que diz Liliana Barros, socióloga e articuladora social.

“A Cidadania faz parte da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, então logo eu falei com a coordenação da Rede, saí falando com as pessoas do meu convívio… Existe uma solidariedade bonita muito grande. Foi feito uma vaquinha com algumas pessoas que são da Rede e outras que não são, o povo negro, na verdade. (…) Você sabe que têm algumas pessoas que estão do seu lado, a sensação das mulheres é essa, que tem alguém, que elas não estão sós…”

disse Liliana
Comunidade do Córrego do Euclides. Imagens: Acervo Obirin

Além da Rede, outras organizações, fóruns e iniciativas também se mobilizaram junto à Cidadania Feminina para arrecadar cestas básicas ou doações em dinheiro, que tem sido revertidos em alimentos e kits de higiene para serem distribuídos às mulheres do Córrego do Euclides. Para saber mais sobre as ações e contribuir com o trabalho da organização, é só entrar em contato por meio do (81) 9 8778-0609. Elas também estão presentes no Instagram.

Frente Favela Brasil (Recife) – Anna Karla Pereira

Entre as três organizações, o Frente Favela Brasil (FFB) é o único de abrangência nacional, com grupos de atuação regional espalhados pelo país. Anna Karla Pereira, moradora do Ibura, mestranda em história e articuladora social, falou sobre as ações do grupo, que tem como base a luta pelo protagonismo e pelo reconhecimento da dignidade da pessoa negra, dos moradores de favelas, dos pobres do campo e das periferias do Brasil. Em tempos de pandemia, o FFB, tem construído uma rede com outras lideranças e conseguido dar suporte a milhares de pessoas afetadas graças a uma estrutura robusta de articulação.

“A partir do momento que começou a sair as matérias do trabalho que a gente tava fazendo e os amigos que doaram também, começou a chegar essas demandas pra gente, da pessoa dizer assim ‘hoje eu não tenho nada pra comer com os meus filhos’ (…) Então, a gente começou a receber essas mensagens muito tristes e como ainda tem esse material, a gente diz ‘vamo lá’, Mesmo que a gente não tenha um parceiro no lugar, a gente vai buscar atender essa pessoa o mais rápido possível”

relatou Anna Karla
Parceria entre a Frente Favela Brasil, Projeto Mão Amiga e SuperGásBras leva 142 botijões de gás para famílias do Coque, Ibura e Várzea. Imagem: Frente Favela Brasil/Divulgação

No Recife, famílias moradoras de territórios periféricos localizados em Santo Amaro, Várzea, Alto Santa Isabel, Ibura, Ipsep, Jordão, Pina, alguns lugares de Olinda, além das comunidades do Coque e Caranguejo Tabaiares, têm recebido as arrecadações levantadas pela organização.  Além disso, projetos direcionados a grupos específicos, como o Mães pela Diversidade em Pernambuco e o “Mães da Favela” da Central Única das Favelas (Cufa), conseguiram junto à FFB, atingir públicos ainda mais vulneráveis, como pessoas trans e mães, respectivamente.
O processo de enfrentamento à Covid-19 construído pela Frente foi feito em etapas, com o objetivo de alcançar um resultado mais imediato. A disseminação de informação foi a primeira atividade. Realizada por meio de faixas, bike e moto-som, as populações conseguiram saber mais sobre a doença. Além disso, para fortalecer o isolamento social, foram mapeadas as pessoas que estavam em vulnerabilidade nos territórios para que recebessem doações de alimentos e assim, conseguisse diminuir as saídas de casa. Para acompanhar as atividades da FFB, é só acessar o site e a página do Instagram. Lá é possível saber as formas mais fáceis de colaborar. Se preferir, o número para contato é (81) 9 8789-0790.

Emanuely Lima
Jovem negra, filha do sertão do Pajeú e adotada pelo Recife. Recém-formada em jornalismo, costuma dizer que assobia e chupa cana ao mesmo tempo, experimenta de um tudo e se interessa por um mundo de assuntos e áreas, embora esteja sempre falando sobre negritude, feminismo e direitos humanos, tudo que perpassa a existência, dela e dos seus.

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