O Mar Serenou

O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia

O pescador não tem medo
É segredo se volta ou se fica no fundo do mar
Ao ver a morena bonita sambando
Se explica que não vai pescar
Deixa o mar serenar

O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia”

Sereia Grécia Antiga: Portal dos Mitos

Como cantava a sambista Clara Nunes, quem samba na beira do mar é sereia. É sobre as sereias que vamos conversar hoje. Isso porque a Disney divulgou na última quarta feira, 03 de julho, que no Live Action da Pequena Sereia, a personagem principal do filme, a Princesa Ariel, será interpretada pela atriz e cantora negra Halle Bailey. Antes de chegar nessa decisão da Disney, vamos contextualizar um pouco essa história.

As sereias são personagens mitológicos, mitos são narrativas de caráter simbólico-imagético, ou seja, são independentes da realidade e evoluem e mudam de acordo com a cultura, condições históricas e, evidentemente, muda de acordo com quem conta a história. Pois bem, a mitologia grega tem enorme penetração na cultura global e as sereias derivam dela, sendo seres híbridos, metade mulher, metade peixe. Semelhantes a outros como as Harpias, metade mulher, metade pássaro; ou os Minotauros, metade homem, metade cavalo.

Iara: Portal Sua Escola

Aqui no Brasil mesmo temos uma representação próxima ao imaginário grego da sereia, a Iara. Iara ou mãe d’água é uma lenda do folclore brasileiro, que narra a história de uma sereia, metade mulher, metade peixe, que encantava os navegantes e pescadores no rio Amazonas. Ela saia de sua casa, às margens do rio, com seus cabelos longos e enfeitados de flores vermelhas, toma sua forma humana e atraia os ribeirinhos para o fundo do rio, pela sua beleza e voz encantadoras.

Hoje, a sereia que realmente nos interessa é a princesa Ariel. Uma história de autoria do escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen, que virou animação pelas mãos da Walt Disney Feature Animation, em 1989. A produção foi premiada com o Óscar de melhor trilha sonora e canção original, o Globo de Ouro nas mesmas categorias e ainda levou o Grammy de melhor canção composta para filme. Claramente foi um sucesso global, com um enredo simples que encantou crianças mundo afora.

Atualmente temos um crescimento de remakes, que são novas versões de produtos audiovisuais que tiveram grande sucesso, filmes, novelas, séries e por ai vai. No cinema, encontramos releituras de sucessos, como Mogli, Aladim e o tão esperado O rei leão. São produções feitas com o que há de mais refinado com relação a tecnologia na produção de filmes, uma verdadeira revolução que atende pelo nome de Live Action. Essa tecnologia trata basicamente da utilização de pessoas, atores reais, em animações.

Seguindo essa demanda, a Disney anunciou mais um Live Action, dessa vez, recontando a história da Pequena Sereia, a Ariel. Ariel que na primeira versão, em animação, era uma sereia de pele clara, branca e, agora, teve escalada para o seu papel a atriz e cantora norte-americana, Halle Bailey, de 19 anos, que é negra. A escolha gerou diversos comentários nas redes sociais alegando que a escolha descaracterizaria a personagem. Nós sabemos quantas e quantas vezes tivemos personagens originalmente negros sendo interpretados por atores e atrizes brancos e brancas. Há nesse discurso um pouco de racismo sim. Vamos aos pontos:

 

 

Halle Bailey: Extra

A notícia foi dada pelo diretor Rob Marshall através de um comunicado à revista Variety: “Após uma longa busca, está abundantemente claro que Halle possui a rara combinação de espírito, coração, juventude, inocência e substância – além de uma gloriosa voz para canto – todas qualidades intrínsecas necessárias para interpretar este papel icônico”, disse ele.

Esse passo da produtora é importante, é preciso que crianças negras sintam-se representadas em seus personagens favoritos, isso é um fato. Porém, não podemos acreditar que essa decisão é apenas pensando que as crianças negras precisam se enxergar em seus personagens, essa decisão é mercadológica também. O público tem sido bem importante nessas decisões de inclusão e essa atitude vem sendo tomada coma criação de personagens representativas, no passado tínhamos como expoente a Pocahontas e a Jasmine, hoje temos a Moana e torcemos para que essa representação só aumente e que nossas crianças possam se enxergar nos filmes e perceber que podem sim ser princesas e, caso queiram, podem até sambar no fundo do mar.

Princesa Ariel